quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A FAMÍLIA AMPLIADA


No sentido mais fundamental, a família hebraica constituía-se do esposo, esposa e filhos. Quando o marido tinha mais de uma esposa, a "família" incluía todas as esposas e todos os filhos em seus vários relacionamentos (cf. Gênesis 30). Às vezes a família incluía todos os que compartilhavam um teto comum sob a proteção do cabeça da família. Podiam ser avós, criados e visitantes, bem como filhas viúvas e seus filhos. A família ampliada geralmente incluía os filhos e suas esposas e filhos (Levítico 18:6-18). Deus contou os escravos de Abraão como parte do grupo familiar, pois ele exigiu que Abraão os circuncidasse (Gênesis 17:12-14, 22-27). Na primitiva história de Israel até quatro gerações viviam juntas. Isto era parte normal do modo de vida seminômade e mais tarde do modo de vida agrícola.

No Oriente Médio, ainda hoje os povos seminômades perambulam juntos como famílias numerosas em busca de sobrevivência. Cada família ampliada tem seu próprio "pai" ou xeque, cuja palavra é lei.
Nos dias do Antigo Testamento, a família ampliada era governada pelo homem mais velho da casa, que também era chamado "pai". Muitas vezes esta pessoa é o avô ou bisavô. Por exemplo, quando a família de Jacó se mudou para o Egito, Jacó foi considerado o "pai" ― muito embora seus filhos tivessem esposas e filhos (cf. Gênesis 46:8-27). Jacó continuou no governo da "família" até à morte.
O "pai" de uma família ampliada tinha o poder de vida e morte sobre todos os seus membros. Vemos isto quando Abraão quase sacrificou seu filho Isaque (Gênesis 22:9-12), e quando Judá sentenciou sua nora à morte porque ela havia cometido adultério (Gênesis 38:24-26).
Mais tarde, a lei mosaica restringiu a autoridade do pai. Não lhe permitia sacrificar o filho sobre o altar (Levítico 18:21). Permitia-lhe vender a filha, desde que não fosse a um estrangeiro, ou para prostituição (Êxodo 21:7; Levítico 19:29). De acordo com a lei, o pai não podia negar o direito de primogenitura de seu primogênito, mesmo que ele tivesse filhos de duas mulheres diferentes (Deuteronômio 21:15-17).
Alguns pais hebreus quebraram essas leis, como no caso de Jefté, que votou sacrificar quem quer que lhe saísse ao encontro após seu retorno vitorioso da batalha. Sua filha foi a primeira pessoa. Crendo que ele tinha de cumprir o voto, Jefté sacrificou-a (Juizes 11:31, 34-40). Da mesma forma o rei Manasses queimou o filho para aplacar um deus pagão (2 Reis 21:6).
Não sabemos quando a família ampliada dos tempos do Antigo Testamento abriu caminho para a estrutura familiar que conhecemos hoje. Alguns eruditos acham que ela se extinguiu durante a monarquia de Davi e de Salomão. Outros crêem que ela continuou por mais tempo ainda. Mas, nos tempos do Novo Testamento, a família ampliada havia quase desaparecido. Os escritos de Paulo o confirmam; quando ele escreveu sobre os papéis e atitudes de cada membro da família, falou apenas dos pais, filhos e escravos (cf. Efésios 5:22― 6:9).
O Novo Testamento diz que José e Maria viajaram como um casal para alistar-se em Belém (Lucas 2:4-5). Foram ao templo sozinhos quando Maria ofereceu sacrifícios (Lucas 2:22). Também viajaram sozinhos quando levaram Jesus para o Egito (Mateus 2:14). Esses relatos tendem a confirmar que a "família" do Novo Testamento constituía-se somente do marido, da esposa e dos filhos.

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